Escola aberta! É realidade?

“Somente em um modelo de gestão democrática, que fortalece a participação e a autonomia na realização dos projetos pedagógicos das escolas, é possível enfrentar o grande desafio que é assegurar o direito à aprendizagem de todos os estudantes”.
Na atualidade, é muito enaltecida a gestão democrática escolar. Na teoria, e nos planos gestores, as instituições dedicam-se habilmente em executá-la. Na prática, a realidade é um pouco diferente. Precisamos romper com o comodismo. Precisamos ouvir aqueles que são a alma da escola e decisivos em uma gestão aberta: os alunos.
A ideia supracitada não pretende desprezar a importância dos demais atores sociais, como pais, professores e funcionários, mas reforçar o conceito de que o ensino formal tem como premissa desenvolver habilidades e competências no grupo discente.
A razão de existência da escola, sem dúvida alguma, é o jovem! Infelizmente, muitas vezes, a direção estabelece diálogo apenas com órgãos como o Conselho de Escola e Associação de Pais e Mestres (APM). Deste modo, é levada, ou prefere acreditar que está executando uma gestão realmente participativa. Mas e o aluno? Será que tem voz ativa?
Se o aluno não se identificar com a escola ou não se sentir representado pela mesma, ele não vai aprender. Parece óbvio, mas, muitas vezes, tal fato não é levado em consideração. Não existe professor, gestor ou pai que faça o jovem aprender se ele não desejar. Daí a importância das novas gerações serem ouvidas e participarem das decisões coletivas.
Pesquisa realizada pela Rede Conhecimento Social, em 2016, entrevistou mais de 130 mil pessoas no País. Os dados revelaram que 90% dos jovens estão insatisfeitos com a educação oferecida. Metade considera a estrutura escolar inadequada e 80% acreditam que a relação entre corpo discente e equipe escolar precisa melhorar. Mas como fazer isso?
Olhando para as possibilidades existentes, pode-se afirmar que o Grêmio Estudantil é, sem dúvida, o principal canal para a representação dos desejos discentes e solução para a falta de representatividade do alunado. Infelizmente, no Brasil, muitas escolas ainda não o possuem.
Por intermédio de uma agremiação, os jovens tornam-se protagonistas. A expressão “protagonismo” deriva do grego “agonistes” (ator que desempenha o papel principal de uma peça) e “protos” (primeiro), ou seja, o indivíduo que emerge e que não se satisfaz com o mínimo, desejando tomar para si a condução de determinadas situações.
O preconceito e a ideia equivocada de que os jovens não possuem capacidade de auxiliar na gestão excluem os mesmos do referido processo. Além disso, prevalece ainda em nossa sociedade a arcaica cultura hierárquica, por meio da qual o poder sempre deve emanar de “cima para baixo”.  Por fim, podemos citar o choque de valores entre as diferentes gerações e o trabalho que suscita orientá-las para que possam ajustar seus pensamentos à realidade administrativa dos estabelecimentos de ensino contemporâneos.
Quando a escola estiver realmente aberta ao diálogo com seus alunos, novos e melhores rumos poderão ser tomados. Afinal, a juventude não deve ser vista como problema, mas, sim, como solução!
fonte:Danilo Oliveira